# Modelo de Segurança, Privacidade e Análise de Ameaças (STRIDE)
> **Diretrizes de Segurança em Profundidade, Proteção Criptográfica e Conformidade LGPD**
O **CyberCore Signer** foi concebido sob os princípios de *Security by Design* (Segurança desde a Concepção) e *Least Privilege* (Menor Privilégio), seguindo as normas da **Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil)** e as exigências da **Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD — Lei nº 13.709/2018)**.
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## 1. Modelo de Ameaças STRIDE e Matriz de Mitigações
| Categoria STRIDE | Ameaça Potencial | Superfície / Vetor | Mitigação Implementada no CyberCore Signer |
|---|---|---|---|
| **S** - *Spoofing* (Falsificação de Identidade) | Aplicação web maliciosa se passa por sistema corporativo para assinar documentos fraudulentos. | `POST /ccsp/v1/sign`, `GET /ccsp/v1/certificates` | 1. Validação estrita de `Host` loopback (`127.0.0.1` / `localhost`).
2. Verificação de `Origin` autorizada cadastrada no `ApplicationRegistry`.
3. Handshake de consentimento explícito do usuário com diálogo nativo do sistema operacional. |
| **T** - *Tampering* (Adulteração de Dados) | Malware local modifica arquivo `authorized-apps.json` para autorizar origens maliciosas silenciosamente. | Sistema de arquivos local (`~/.cybercore/authorized-apps.json`) | 1. Assinatura de integridade por **HMAC-SHA256** (`authorized-apps.json.hmac`) com chave isolada (`.vault_key`).
2. Permissões POSIX restritas `0600`/`0700` (acesso exclusivo do usuário dono).
3. Descarte total e alerta de auditoria em caso de divergência do HMAC. |
| **R** - *Repudiation* (Repúdio de Operações) | Usuário ou aplicação contesta a execução de uma assinatura digital. | Transações CCSP / Logs | 1. Princípio **WYSIWYS**: exibição obrigatória de origem, aplicação, nome/tamanho do documento e hash SHA-256 legível.
2. Logs de auditoria estruturados com `request_id` (UUID), timestamp ISO 8601, algoritmo e fingerprint do certificado (sem expor segredos). |
| **I** - *Information Disclosure* (Vazamento de Informações) | Vazamento de chave privada, PIN do token A3 ou documentos confidenciais. | Memória, tráfego de rede e arquivos de log | 1. Chaves privadas nunca saem da máquina/hardware.
2. Operação primária por **Digest** (o documento confidencial nunca trafega para o agente).
3. PIN manipulado em `char[]` efêmero com limpeza de memória (`Arrays.fill`).
4. Mascaramento LGPD de CPF em carimbos visuais.
5. Loopback estrito `127.0.0.1` e cabeçalhos PNA (`Access-Control-Allow-Private-Network`). |
| **D** - *Denial of Service* (Negação de Serviço) | Invasor esgota conexões locais, tenta replay de assinaturas ou trava token mono-thread. | Socket HTTP local, driver PKCS#11 | 1. Trava FIFO serializada (`signLock` ReentrantLock) para proteção de drivers A3 mono-thread.
2. `NonceManager` com expiração TTL, tolerância a clock skew (30s) e deduplicação atômica.
3. Detecção e tratamento de colisão de porta com mecanismo de **Port-Hunting** sequencial. |
| **E** - *Elevation of Privilege* (Elevação de Privilégio) | Usuário ou script tenta forçar modo de desenvolvimento (`--dev`) em ambiente de produção para simular assinaturas. | Linha de comando / Flags de execução | 1. Trava inviolável no bootstrap (`CyberCoreSignerApplication`): compilações com `flavor=production` abortam imediatamente com `SecurityException` se `--dev` for fornecido.
2. O modo dev só pode ser compilado através do perfil Maven explícito `-Pdev`. |
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## 2. Comunicação Local e Arquitetura de Transporte (HTTP vs WebSocket)
### 2.1 Por que HTTP REST Loopback em vez de WebSockets?
O CyberCore Signer utiliza **HTTP/1.1 REST Loopback** em `127.0.0.1:21325` por decisões fundamentadas de segurança:
1. **Mitigação de CSWSH (Cross-Site WebSocket Hijacking):** WebSockets não respeitam a política Same-Origin Policy (SOP) tradicional e ignoram restrições CORS padrão de preflight `OPTIONS`. Um script malicioso em qualquer aba poderia abrir conexões bidirecionais diretas sem controle prévio.
2. **Compatibilidade com Private Network Access (PNA):** Navegadores modernos (Chromium / Firefox) impõem restrições rigorosas quando páginas web públicas acessam `127.0.0.1`. O protocolo HTTP REST permite responder ao preflight com `Access-Control-Allow-Private-Network: true`, atendendo integralmente às diretrizes do W3C.
3. **Preflight CORS Determinístico:** Cada método sensível é precedido por um preflight que valida o `Origin` contra o registro de aplicações autorizadas antes que qualquer payload seja consumido.
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## 3. Isolamento de Rede e Proteção Local
### 3.1 Ligação Estrita ao Loopback (`127.0.0.1`)
O servidor HTTP do protocolo CCSP/1 vincula-se exclusivamente ao endereço IPv4 local `127.0.0.1`.
* **Sem Escuta Externa:** O agente nunca realiza bind em `0.0.0.0` ou em interfaces de rede de área local (LAN) ou externa (WAN).
* **Bloqueio no Socket:** Tentativas de acesso originadas fora da própria estação de trabalho são sumariamente recusadas pelo subsistema de rede do sistema operacional antes de qualquer processamento da aplicação.
### 3.2 Proteção Contra Ataques de DNS Rebinding
Para neutralizar ataques em que domínios externos tentam resolver para `127.0.0.1` e burlar a política de mesma origem do navegador:
* O `CcspServer` valida expressamente o cabeçalho HTTP `Host` em **todas** as requisições (incluindo preflight `OPTIONS`).
* Somente requisições com `Host` correspondente a `127.0.0.1:{porta}`, `localhost:{porta}` ou `[::1]:{porta}` são aceitas; qualquer outro valor é rejeitado com status `403 Forbidden` (`INVALID_ORIGIN`).
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## 4. Integridade Criptográfica do Registro de Aplicações (`ApplicationRegistry`)
As aplicações autorizadas pelo usuário são armazenadas em disco sob um esquema de proteção em profundidade:
1. **Caminho:** `~/.cybercore/authorized-apps.json`.
2. **Assinatura HMAC-SHA256:** Arquivo companheiro `authorized-apps.json.hmac` calcula o HMAC dos bytes JSON usando chave mestre de 256 bits gerada via `SecureRandom` e armazenada em `~/.cybercore/.vault_key`.
3. **Permissões de Arquivo:** Aplicação de restrições POSIX (`0600` para arquivos e `0700` para diretórios) garantindo que apenas o usuário logado no sistema operacional possua direitos de leitura e escrita.
4. **Detecção de Adulteração:** Se o arquivo JSON for modificado externamente (por malware ou editor de texto) sem a chave mestre, o carregamento descarta 100% das autorizações e emite alerta crítico de auditoria.
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## 5. Proteção de Memória e Ciclo de Vida do PIN/Chaves
1. **Assinatura Exclusivamente Assistida:** Toda operação de assinatura exige interação humana voluntária. O agente nunca assina documentos em segundo plano de forma desassistida via API.
2. **Inviolabilidade da Chave Privada:** As chaves privadas ICP-Brasil nunca são exportadas em formato de bytes brutos. Operações em certificados A3 utilizam handles nativos do hardware/middleware (PKCS#11 / MSCAPI).
3. **Higienização de Memória Volátil:**
- O PIN de smartcards e senhas de certificados A1 nunca são convertidos para strings imutáveis do Java (`java.lang.String`).
- São manipulados estritamente como arrays de caracteres mutáveis `char[]`.
- Imediatamente após a autenticação do token, o array é sobrescrito com zeros via `Arrays.fill(pinBuffer, (char) 0)`.
4. **Remoção de Hardware (`TOKEN_REMOVED`):** Se o usuário desconectar o token USB ou retirar o cartão do leitor, o `SmartCardWatcher` força a limpeza imediata do cache de sessão e dos buffers do sistema operacional.
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## 6. Software Bill of Materials (SBOM) e Cadeia de Suprimentos
1. **CycloneDX SBOM:** O build padronizado do projeto gera automaticamente o SBOM nos formatos `target/bom.json` e `target/bom.xml` conforme a especificação CycloneDX 1.6.
2. **Análise Estática e Vulnerabilidades:** O pipeline de CI executa verificações contínuas de segurança:
- **SpotBugs + FindSecBugs:** Análise estática profunda de vulnerabilidades criptográficas e injeções de código.
- **Enforcer Plugin:** Verificação rigorosa de versões mínimas do compilador e convergência de dependências transitivas.